Nosso dia de nascimento é um evento tradicional e universal. Porém, em oposição a outras comemorações universais - carnaval, natal, páscoa -, é individual e não coletivo. Em que sentido individual? No que não movimenta milhões de pessoas pela mesma causa, no caso, pela mesma pessoa. Cada humano é um motivo diferente para comemorar.
E nesse momento, agora, há uma infinidade de pessoas entoando o "parabéns pra você", hino que sela o envelhecer na jornada da vida. Imagino a maldição que seria para alguém não ouvir essa canção. Nunca envelhecer, ficar parado no tempo? Cruzes!
Mas apesar de ser o grand finale, não é o ápice do nosso dia especial e escolhido por deus. O climax se reserva às demonstrações de que somos especiais na vida de alguém( nem que seja por um dia).
E qual poderia ser a maneira primordial para expressar que existe alguém que você lembra e considera? Um presente.
Calma, abraços, beijos e companhias são gestos que adocicam a vida de qualquer um, mas o mandamento é claro e não permite interpretações: o presentear é, sem questionamentos, o recheio de chocolate da vida. É a cereja do bolo. É o bife no arroz e feijão. É o TODO.
E a que cenário isso nos conduz:
Todo dia alguém precisa ser lembrado, mimado, admirado. Isso movimenta um número de X de pessoas a precisar, nem que seja num nível extremamente simples, COMPRAR algo a alguém. Todo dia alguém gasta 1, 2, 30, 500 reais a mais para poder deixar um sorriso no rosto de um sapiens especial.
Questiono-me, logo, essa data não passa de mais uma convenção do mercado para que sempre precisemos gastar mais? Eu digo que sim.
E digo mais, é diabolicamente perfeito: se alguém nasce, um dia esse alguém precisará de um presente, e outrem precisará gastar.
Pode parecer uma conclusão boba, entretanto não existe nada bobo nos mecanismos para mover capital.
Vejamos a coca-cola, umas das mais conhecidas marcas e mais universal que o cristianismo.
Após anos exercendo enorme poder na mente de gerações por que gastar tanto em advertising? Não precisaria de TANTO, você pode dizer. Mas a empresa sabe que um dia sem um bom ads pode significar um dia, no futuro(100, 200 anos, whatever), sem que alguém beba coca.
Não sei se há precisão nesse exemplo, mas a ideia é que ninguém que tenha o objetivo de movimentar capital toma uma decisão por acaso.
Mas qual a origem da comemoração e quem primeiro designou? Essas respostas eu não tenho. Escrevo aqui apenas com o coração(ui!). Mas será uma pesquisa interessante e que com certeza farei.
Quero salientar que isso não é um manifesto de nenhuma natureza contra ou a favor de nada. É apenas um exercício de curiosidade e, em certo nível, reflexão.
Ora, todos gostamos de presentes.
E o aniversário é a desculpa perfeita para tê-los. Não é o dia em que deus lhe deu a vida, é o dia em que deus lhe deu a oportunidade vitalicia de ganhar presentes. E presente vale mais que vida, por favor, né.
Bom, nesse instante terei que entrar em contradição. Percebo agora que fiz esse rodeio todo para criticar uma determinada coisa. Então, eu tenho algo, não diria pra estar contra, mas para julgar.
Sentir-se especial é o que ser nenhuma jamais negaria. E tenho que dar o braço a torcer. A vida pode e será dura. Então, talvez, as datas que servem para dar alegria e esperança tenham importancia na vida, tenham um lugar essencial. Apesar de seu valor ser predominantemente comercial.
Ter um dia pra chamar de seu é forte. Há alguém que ganha um up na perseverança de viver por causa de dias assim, "especiais". Não posso negar que tenha importância.
Mas, ter várias pessoas atreladas emocionalmente não pode impedir um "estudo", uma crítica e uma "reflexão". Pois senão, eu nunca debateria sobre cristianismo.
E blá, blá, vida não tem graça sem questionar.
Estou cansando, serei direto.
Colocar importância e significância demasiada em coisas externas é uma atitude nociva.
Você depender de coisas degradáveis para ter ou manter uma vida feliz é como depender de um teto de gelo para não cair de 100 metros, ou seja, pode e um dia vai cair. E se cair o que restará para você? Absolutamente nada.
Depender de datas, pessoas, presentes, coisas... é o que define um coração pobre(ui, muito poetico).
A plenitude vem de dentro pra fora, se sua cabeça desmorana caso fique sem coisas que podem acabar, como você vai lidar quando esse dia chegar?
(*)
No final das contas é A GENTE que torna as coisas dolorosas por dar importância demais. A culpa é NOSSA.
Aniversário é legal e tal, mas é um dia como qualquer outro. Colocar ele num pedestal só faz a queda, caso aconteça, ser ainda pior.
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