sábado, 15 de fevereiro de 2020

Eu Vou Começar Por Mim

Todo mundo conhece um medíocre quando vê um. É explicito, inafiançável, podre.

E apesar de ser uma pessoa observadora, não no sentido de prestar atenção unicamente, mas observar e refletir e questionar sobre as coisas, não tinha reparado a MEDIOCRIDADE que não só rondava, assim como preenchia a minha pessoa. Estava oculto e a céu aberto, estava trancado em uma caixa transparente. 

Precisa-se saber que repito essa afirmação, que sou um medíocre, entre outras, para mim mesmo com uma certa frequência. O que além de ser contraditório lhe faz me perguntar onde está a surpresa ou a novidade já que se tratava de um fato verbalizado diária e sagradamente.

Aí está o ponto, não era um FATO. Como 90% do que uma pessoa deprimida fala é, claro, com suas várias causas e graus diferenciados, inegavelmente irreal. Assim se caracterizava a minha dor verbalizada.
Não era uma conclusão orquestrada objetiva e racionalmente, era apenas uma ilusão auto sabotativa inventada por excesso de ausência de estima própria e, óbvio, felicidade.

As manias são hábitos quase... na verdade... não, não quase. São 100% presentes em 100% das pessoas. É capaz realmente de existir alguém que não tenha uma mania repetitiva, um rito sempre visitado, seja ele inofensivo, prejudicial ou whatever?
Creio ser impossível. Mas, não sei se fica claro que não falo de hábitos humanamente mundanos, como por exemplo, o de usar aquele importante órgão do corpo humano: a escova de dentes. Os hábitos que falo são aqueles não necessários a sobrevivência e felicidade humana.

E nada melhor do que a abstinência de compaixão consigo mesmo pra criar ritos ou hábitos negativos  para serem mecanicamente repetidos. Como um réu que se encontrasse preso em um loop temporal, sendo obrigado a ouvir repetidamente um juiz ler a sua sentença capital.(O que pensando agora, na realidade, me parece algo até bom: Apenas ouvir a sentença e nunca poder chegar no dia da execução. A menos, é claro, que ele só volte para o início do loop após ser executado. Levando em consideração que o fatídico dia pode levar anos até acontecer, aí sim séria um grande tormento.)

Portanto, como estar inserido nesse contexto e saber o que é realidade do que é fantasia? Se estivermos em uma realidade controlada, como podemos saber, como identificar?(Dica: não através de teóricos do youtube). Você não consegue entender algo sem um distanciamento. A velha máxima que gente apaixonada não vê defeitos e cagadas por estar inserida nessa cena é uma realidade com grande credibilidade. Tão plausível quanto é que apenas o expectador externo à relação pode ter um verdadeiro entendimento do que é real. É fácil ver essa situação quanto vemos mães indignadas com atitudes todas de personagens apaixonados de novelas. Ela entende o bobo da situação, mas provavelmente pode ter feito o mesmo no decorrer da vida.

O apaixonado ou o deprimido, está sempre cego as coisas a sua volta.

(Agora sinto uma grande sensação de inutilidade. Pra que todo essa escrita para dizer o (simples e no final ainda nem fazer sentido? Como eu repetia diariamente e não via diariamente?)
(Eu sempre me enojo da própria escrita no final da mesma. Mas, continuemos, se é que não  me meti em um labirinto de inutilidade.)

Pois bem, nesse dia consegui me alimentar da realidade, não apenas engolir, mas saborear cada ingrediente separadamente e em conjunto dessa minha mediocridade. Pude, então, entender o que eu sentia e como vivia, agora, sem uma emoção para distorcer ou aumentar. Não era mais a repetição de um mantra de tristeza, era um estudo do que se passava comigo.

Agora podia repetir conscientemente, usando provas e tudo mais que, sim, eu sou um medíocre.

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