segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Humberto Gessinger: Novos Horizontes Para O Ano Novo



Grande e sempre carregado de emoções, é assim um fim de ano. E o meu também segue esse roteiro, porém de forma um tanto negativa. 

Durante todo o ano de 2018 eu fui assombrado pelas promessas/metas do finado 2017:
                    "Cadê, tá fazendo?"
                    "Mudou algo? Bora."
                    "Já vai completar 365 dias e nada, né."


Durante uma breve fuga desses pensamentos lembrei de um trecho contido em uma canção do Humberto Gessinger. Se ano passado eu tivesse com essa dica em mente, não teria plantado tanta esperança sem garantia em 2018. 

O conselho tá na música "ANOITECEU EM PORTO ALEGRE" e é bem simples e, para mim, óbvio. Mesmo eu só percebendo isso agora.
 "...E a certeza de que o último dia de Dezembro é sempre igual ao primeiro de Janeiro."

Humberto Gessinger

O que eu tiro daqui? Que 31 de Dezembro não é e não torna as coisas acontecidas nele mais especiais. 

Eu sei que é a mais importante data festiva do ano e que todo mundo se junta como se fizessem parte de uma alcateia para exibir overdoses de felicidade e harmonia. 

Mas a gente sabe que não passa de uma grande e bela fachada.
Falso sorriso

Só que há um ano eu não tive essa lucidez. Então apliquei muita significância a algo por ter sido proferido nesse momento de alegria e hipocrisia. 

Acreditei que o espirito do novo ano fortaleceria a realização dessas vontades. Engano.

Por conta disso, os compromissos ganharam uma aura especial. O que só tornou a situação de perceber que eu não tinha realizado nada como queria, pior.

O meu erro foi não ter percebido que não há diferença entre qualquer promessa tola para uma menina que se quer pegar em um 7 de maio, de metas de vidas feitas nesse exaurido dia 31.

Não foi rápido, precisou um ano pra eu chegar aqui e ver o quão não diferenciado foi aquele final de 2017.
Ricky and Morty estão cagando pro ano novo

Então, se existe um ser onisciente, ele já estava esperando com pipoca na mão para me ver em um dia de tristeza, melancolia, auto depreciação e martírio. 

Ok, foi exatamente assim. Mas ainda bem que existe o bom e velho entretenimento para te desligar do mundo. Nessa caso, Rick and Morty me salvaram da realidade inutilmente triste. 

HUMBERTO, PORTA VOZ DO CORAÇÃO

Já recuperado e procurando por mais distração, o youtube, de surpresa, me serve um banquete composto de uma única opção, porém de épocas e fontes diferentes: entrevistas de Humberto Gessinger, alma dos Engenheiros do Hawaii. Uma banda que ouço bastante e que ouvi com uma intensidade ainda maior nesse final de ano.

Humberto em Entrevista

E, cara! Ver o 1berto falando sobre composições, gravação, experiencias, infância, ideias e mudanças, é algo sempre ótimo, pois faz tu sentir que conhece de verdade aquele artista que tu admira e se amarra no trabalho. E a gente se projeta nele e sente uma alegria naquilo.


Mas tinha algo errado. Percebi que o entretenimento para me DESCEREBRAR dos problemas estava trazendo outro motivo de angústia para essa angustiante noite. 

Qual?

Bom, você não sabe, mas eu sou o aspirante a artista, que escreve, que é conceitual, que enlouquece, que sai da caixa, que é meta morfo, que sonha, que é progressivo e tal. 

Mas, mas... eu não tinha sido como aquele cara na tela do meu celular. 


Eu não tinha lido tanto quanto ele na infância, não tinha tido tantas ideias legais, tido as mesmas oportunidades, ter sido legal como ele, revoltado como ele, e nem tão qualquer coisa como ele. 
Ciclos que giram como engrenagens


Então, novamente me vejo preso no ciclo de degradação pessoal. Droga! 

Eu estava lá para esquecer o cérebro, não para me afundar mais nas loucuras que ele me conta.


Depois de minutos de amargura, a minha lógica conscientizadora veio atirar uma corda para me resgatar do fundo do poço e mostrar o quão ilógico e inútil era esse sentimento invejoso.

É o cérebro que afunda, é o cérebro que salva.

NEGANDO O PRECIOSO DA VIDA: AS INFINITAS HIGHWAYS

Se há algo especial na vida, é a individualidade. A capacidade de mudar, evoluir, voltar, se questionar, se afirmar.

Poder construir as próprias ou seguir a auto estrada que quisermos.

Mas como eu valorizo trajetórias de vida e cuspo na minha com a inveja? 
Infinita Highway
Infinita Highway

Não há nada mais imoral do que desejar a vida e vivência alheia.

Essa é a coisa que te torna único. Sem tudo que passamos, não seriamos quem somos. Bem bobo e óbvio isso, mas foi o que veio, não tem espaço pra vergonha por aqui.


Eu tenho que ser grato por ter nascido onde nasci, vivido o que vivi. 

Se hoje agradeço por ter uma mente aberta, não ser um repetidor de opiniões, saber admirar qualquer tipo de obra e tantas outras coisinhas que me definem como pessoa, foi unicamente por causa do "chão" andado por mim. 

Isso é óbvio pra você? Que bom! Mas eu preciso repetir, pois minha mente cogitou esquecer!
Ninguém é igual a ninguém

Todo destino é único, logo, apenas ter nascido no avatar do Gessinger não seria garantia de um futuro promissor. 

Quem pode garantir que tudo daria certo pra que eu me tornasse "um cara legal".

Mais uma vez para fixar: só sou o que sou por conta do molde que o caminho fez de mim.

POR QUE SOMOS ÚNICOS

Creio que além de mim, muitos também esquecem que além da vivencia, vem algo dentro de nós. Algo que, porém, não sei se já vem de fábrica como dizia Descartes. 

Só sei que em algum momento "ele" surge. E esse algo é a maneira de enxergar, de sentir, de interpretar, de viver.

Coisas vividas + esse seu "eu" = VOCÊ.


Se estava hoje ouvindo música boa, que me fez admirar um grande artista(que a grande maioria não faz), eu tenho que agradecer as séries vistas, a família criada, as pessoas conhecidas, aos jogos jogados(no caso: Guitar Hero Brazucas II) e a todas as guerras dos filmes e ao amor das canções.



E isso, essa individualidade, não se compra. É mais especial que qualquer data inventada pelo ser humano.

Curioso, invejar a vida de Humberto Gessinger me fez chegar a algumas conclusões bem interessantes. 

Tem um ditado que diz que existem males que vêm pro bem. Né?


GRATIDÃO

Essa reflexão me fez encarar as últimas horas de 2018 com uma perspectiva bonita e alegre.

Ela me ajudou a lembrar o quão divino é a trajetória de cada um. Inclusive a minha.

Bobagens e erros não invalidam a jornada, só as tornam mais interessantes.

E isso me dá base pra continuar em busca do meu caminho.



Por isso, vou chegando ao fim desse ano com um sentimento de gratidão. Não a deuses ou espíritos, mas gratidão a minha jornada. Feita, criada, protegida, regida, abençoada e tutelada por mim e apenas eu.

Que nessa luta pela independência do ser, nós não entremos em declínio.


Como já dizia o Luar:
       "Faz o que tu queres há de ser tudo da lei."



**Essa é a primeira de muitas postagens. Volta aqui se quiser.

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